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Advogado preso em operação multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões em 7 anos, diz MP

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04 de Setembro de 2026 às 05:00
5 min de leitura
Advogado preso em operação multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões em 7 anos, diz MP

Ouça áudio em que ex-número 3 da Fazenda de SP fala em comprar sauna para lavar dinheiro O advogado João André Buttini de Moraes, preso nesta quinta-feira (3) em uma operação contra corrupção na administração tributária paulista, multiplicou por dez o patrimônio declarado entre 2017 e 2024, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A fortuna informada pelo advogado passou de R$ 30,5 milhões para R$ 314,2 milhões em sete anos. De acordo com os investigadores, mais de 99% da renda declarada por Buttini era composta por dividendos isentos de impostos distribuídos pelas empresas ligadas a ele. O MP-SP aponta Buttini como líder do núcleo privado de uma organização criminosa que cobrava propina para interferir na análise e na liberação de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Segundo a investigação, o advogado captava grandes contribuintes, negociava honorários e facilidades e destinava parte dos valores recebidos a agentes públicos encarregados de destravar, acelerar ou aprovar os pedidos de ressarcimento de impostos. A defesa do advogado João André Buttini de Moraes afirmou "que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e das circunstâncias que levaram à operação. Em total transparência e colaboração com a investigação, informa que tão logo tenha acesso integral aos autos do caso, prestará todos esclarecimentos necessários às autoridades competentes." Movimentação de mais de R$ 2 bilhões O advogado João André Buttini Reprodução As contas pessoais de Buttini registraram uma movimentação bruta de R$ 2,12 bilhões entre janeiro de 2018 e novembro de 2025, somando entradas e saídas, segundo a quebra de sigilo bancário. O próprio MP-SP ressalva que esse valor contabiliza duas vezes os recursos que entraram e posteriormente saíram das contas e inclui resgates de investimentos, empréstimos e transferências entre contas do próprio advogado. Depois de excluir essas operações, a investigação identificou R$ 383,47 milhões em recursos efetivamente recebidos de terceiros — uma média superior a R$ 48 milhões por ano. Desse total, R$ 336,28 milhões, ou 87,7%, vieram das próprias empresas ligadas a Buttini, entre elas o escritório Buttini de Moraes Sociedade de Advogados, a BM Tax, a BM Investimentos e a Juri Consultoria Empresarial. Para os investigadores, os valores circulavam pelas empresas e chegavam ao patrimônio pessoal de Buttini principalmente na forma de dividendos. Somente o escritório de advocacia distribuiu R$ 80,15 milhões em dividendos a Buttini em 2023 e 2024. Considerando todas as empresas do grupo, os pagamentos ultrapassaram R$ 190 milhões no período analisado. A investigação afirma ainda que o advogado enviou R$ 36,5 milhões ao exterior, valor mais de oito vezes superior aos R$ 4,4 milhões declarados em uma conta no Itaú Miami. O Ministério Público também identificou duas aquisições imobiliárias de alto valor sem encontrar nas contas examinadas as saídas bancárias correspondentes aos pagamentos: uma propriedade denominada Mansão Tucumã, de R$ 33 milhões, e um conjunto de imóveis em Itupeva avaliado em R$ 40 milhões. Pagamentos de grandes empresas A quebra dos sigilos mostrou que cinco grandes empresas pagaram, juntas, R$ 140,65 milhões ao escritório e às empresas ligadas a Buttini entre 2018 e 2025. Os pagamentos correspondiam a serviços jurídicos e de consultoria tributária e não representam, por si só, nenhuma irregularidade. O MP-SP sustenta, porém, que uma parcela dos honorários recebidos por Buttini teria sido utilizada para pagar propina a agentes públicos. Os documentos não esclarecem se as empresas que contrataram o grupo tinham conhecimento dos supostos pagamentos ilícitos. R$ 13,6 milhões em propina Paulo Prado declarou ter recebido de Buttini R$ 13.600.200 entre 2021 e 2025 para agilizar e destravar pedidos tributários de clientes do escritório. Segundo o colaborador, R$ 4,5 milhões foram posteriormente repassados a André Weiss, que comandou a Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária até maio deste ano. As entregas teriam ocorrido em dinheiro vivo, dentro de mochilas, principalmente em restaurantes de Pinheiros. Weiss também foi preso preventivamente nesta quinta. Ao autorizar as prisões, a Justiça afirmou que o relato da colaboração premiada encontra respaldo em documentos manuscritos, dados bancários e fiscais, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos e uma gravação ambiental submetida a perícia. O MP-SP investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Os citados ainda não foram julgados. O que diz a Secretaria da Fazenda "Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração. As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros. Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis. A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares."
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