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Atuação da PM de SP em casos de surto psiquiátrico é criticada após três mortes

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18 de Outubro de 2026 às 23:47
5 min de leitura
Atuação da PM de SP em casos de surto psiquiátrico é criticada após três mortes

Policiais militares matam três pessoas em surto em menos de duas semanas Os casos de três pessoas em surto psiquiátrico mortas por policiais militares de São Paulo em menos de duas semanas levantam questionamentos sobre a atuação da PM do estados em ocorrências do tipo. As mortes de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, Camila Pereira da Silva, de 32, e Antônio Nunes Batista, de 40, reacenderam as cobranças por treinamento adequado e protocolos conjuntos com serviços de saúde. Familiares das vítimas denunciam o despreparo e o uso desproporcional da força durante os atendimentos. "Independente de classe social ou de renda ou isso ou aquilo, ninguém merece morrer dessa forma", diz José Nunes Batista, irmão de Antônio. A mãe de Gustavo também contesta a conduta policial. "Para mim, foi uma execução, não foi uma ajuda para uma pessoa que estava em surto", afirma Santiana Munis. O histórico de mortes em intervenções do tipo, contudo, se estende por anos. Imagens de câmeras corporais de setembro de 2024 registraram a morte de Gilberto, um ajudante de pedreiro que estava em surto e se automutilava na Fazenda da Juta, Zona Leste da capital. Policiais entraram no imóvel armados e deram ordens para que ele deitasse. Quando Gilberto avançou com um objeto, os PMs dispararam. Vinte segundos depois, ele saiu do banheiro e foi alvejado novamente, recebendo 12 tiros no total. O objeto era uma broca de furadeira. O Ministério Público descartou legítima defesa e denunciou os agentes por homicídio com dolo eventual. A dinâmica se repetiu no último dia 10, na morte de Gustavo, em Moema. Quatro PMs foram acionados para uma tentativa de suicídio. Ao correr da abordagem, o jovem apontou um celular para os agentes, que gritaram que ele estava armado e efetuaram 45 disparos em menos de cinco segundos. O jovem foi atingido por 27 tiros. Os policiais foram afastados das ruas e podem responder por homicídio. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Rodrigues, defendeu a ação: "Eu não vejo assim alguma irregularidade na ação do policial porque ali foi um enfrentamento que a pessoa ia ter contra a vida dos policiais". "Eu nunca vou entender um secretário de Segurança Pública falar que 45 tiros é protocolo. Nunca vou entender isso. Nunca", afirma a mãe do jovem. Policial atira e mata mulher em possível surto, armada com faca, na Zona Oeste de SP Reprodução/Câmera de segurança Para especialistas em segurança, intervenções do tipo exigem suporte conjunto da assistência social e da saúde mental. No caso de Antônio Nunes Batista, abordado no início de outubro na Zona Norte da capital paulista, também não havia equipe médica. Com histórico de esquizofrenia e vivendo em situação de rua, ele foi cercado por cinco policiais. O boletim de ocorrência cita que o homem portava faca e barra de ferro e que disparos de arma de choque (taser) não foram suficientes para contê-lo. Antônio foi morto com 24 tiros. Dias depois, a vendedora Camila Pereira da Silva foi morta na mesma região. Ela portava uma faca e ia atrás do ex-companheiro. Três PMs atenderam a ocorrência e o soldado André Maximo da Costa atirou no peito da mulher, alegando que não tinha habilitação para usar taser. O policial foi preso em flagrante por uso desproporcional da força, mas obteve liberdade provisória. O governador Tarcísio de Freitas anunciou que se reunirá com o comando da corporação para revisar treinamentos e evitar excessos. "A gente vai ter uma reunião com o comando da Polícia Militar já semana que vem pra revisar procedimento e treinamento. Pra impedir que excessos aconteçam. A gente não quer isso. A polícia tem que proteger a sociedade. Então, a gente tá atento a esta questão. E a gente vê a necessidade sim de rever procedimento", disse o governador. Especialistas reforçam que a doutrina policial prevê o uso diferenciado da força, priorizando diálogo e armas de menor potencial ofensivo. A Brigada Militar do Rio Grande do Sul reformulou seu protocolo após um episódio semelhante: a morte de Hérick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos, baleado seis vezes dentro de casa por policiais em setembro de 2025, em Porto Alegre, durante um surto psicótico. Após a tragédia, o estado gaúcho passou a triar os chamados pelo 190 para identificar crises psiquiátricas. Nesses casos, os policiais só atuam em conjunto com ambulâncias e médicos do Samu, com ordem expressa de priorizar a negociação sem pressa. De acordo com a corporação, a exigência de que as equipes portem armas de choque e a atuação integrada zeraram as fatalidades nesse tipo de ocorrência no estado. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
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