Entregador viraliza ao comparar tratamento que recebe de clientes no Rio e em SP e elogia paulistanos: ‘Já ficam na porta aguardando’
Entregador João Victor trabalhou em São Paulo e no Rio de Janeiro para comparar as diferenças de tratamento entre uma cidade e outra Reprodução/Instagram Um vídeo que mostra diferenças no comportamento de clientes durante entregas por aplicativo viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a relação entre consumidores e entregadores e, de quebra, a rivalidade entre paulistanos e cariocas. O vídeo publicado há um dia já soma mais de 1 milhão de visualizações, 8,9 mil comentários e mais de 1.800 compartilhamentos. Autor da publicação, o entregador e criador de conteúdo João Victor de Sousa, de 25 anos, afirmou, em entrevista ao g1, que, na capital paulista, costuma ser recebido sem confusões e elogiou o comportamento dos moradores da cidade. No Rio, onde mora, não é bem assim. O profissional começou a atuar na área em 2020, durante a pandemia. Ele também produz vídeos de motovlog sobre a rotina de quem trabalha com entregas e atualmente acumula 280 mil seguidores no Instagram, no perfil "110i_joao". Segundo ele, a principal diferença que percebe entre as entregas feitas no Rio de Janeiro e em São Paulo está na forma como os clientes recebem os pedidos. "Em todas as entregas que eu fiz em São Paulo o cliente já estava na porta me aguardando. No Rio, de 50 entregas que eu faço, 20 arrumam confusão, porque querem que eu suba [até o apartamento]. Em São Paulo é o contrário, fui super bem tratado por todos os clientes e por todos os donos de loja também. As pessoas são muito mais educadas", afirmou. Em resposta a um dos comentários na publicação, João Victor também fez questão de explicar que, para ele, a comparação apresentada no vídeo não tinha como objetivo classificar quem é mais ou menos educado. "É sobre o cliente descer e não reclamar com o motoboy." Na primeira parte do vídeo, gravada no Rio, ele aparece em situações de conflito com moradores, que discutem com João Victor por interfone, alegando que não querem descer para buscar as encomendas, ou pessoalmente. Em um dos trechos, uma cliente afirma que, segundo a propaganda do aplicativo, a entrega deveria ser feita "em casa". Outro morador reclama que "o trabalho é pela metade", enquanto um terceiro questiona por que o entregador não sobe até o apartamento. "Quando o cliente se nega a descer para receber o pedido, eu aciono o suporte da plataforma que eu trabalho, e eles me protegem disso. Eu não sofro nenhuma penalidade. Às vezes, tenho que voltar para a loja e devolver o pedido e às vezes eu fico com o pedido. Enquanto isso eu fico protegido pela plataforma, porque ela recomenda que a entrega seja feita no primeiro ponto de encontro", contou. O entregador afirma que a situação mais abusiva que enfrentou nos últimos anos ocorreu em São Francisco, Niterói. "O cliente me xingou de tudo quanto é nome. A solução que eu encontrei foi acionar o suporte do iFood, fiz uma reclamação, mas não sei o que aconteceu, não sei se ele ainda continua ativo na plataforma fazendo pedidos, mas foi o caso mais abusivo que eu sofri." Já nas imagens feitas em São Paulo, os clientes aparecem aguardando os pedidos no portão ou na calçada antes mesmo da chegada do motoboy. Eles conferem o código de validação e encerram o atendimento com cumprimentos e agradecimentos. Para João Victor, essa rotina faz a diferença na rotina exaustiva de trabalho. Apesar disso, ele guarda uma situação de gentileza ocorrida em Niterói, entre as muitas experiências vividas durante o trabalho. "Eu já recebi uma sobremesa de uma cliente. Ela pediu três açaís: deu um para mim, um para o porteiro e um ficou para ela. Era um dia de muito calor, ela foi muito gentil", completa. Comentários A publicação do vídeo gerou milhares de comentários de usuários que relataram experiências pessoais com entregas no Rio de Janeiro e em São Paulo. "Sou carioca e espero no portão, gente sem educação tem em todo lugar", escreveu um. Uma carioca que mora em São Paulo há quatro anos disse ter se adaptado à rotina paulistana e defendeu que os clientes recebam os pedidos na entrada dos prédios. "O motoboy/entregador não tem obrigação alguma de subir. Ele está no corre dele e precisa trabalhar. Para a segurança dele e também a nossa, a entrega é na porta do prédio." Normas das empresas de aplicativo As plataformas de entrega estabelecem orientações sobre o local em que os pedidos devem ser entregues e sobre o que deve ocorrer quando o cliente não aparece para recebê-los. No iFood, a orientação oficial é que o entregador não precisa subir até a unidade nem entrar em condomínios. O pedido deve ser deixado no primeiro ponto de acesso do endereço informado no aplicativo. O cliente tem até 10 minutos, a partir da chegada do entregador, para retirá-lo. “A obrigação do entregador é entregar no primeiro ponto de contato que existe na residência da pessoa. Se for no condomínio, esse ponto é a portaria. Essa é a recomendação dada para os entregadores e a comunicação passada para os consumidores”, explica Diego Barreto, CEO do iFood. A empresa afirma ainda que descer para receber o pedido traz mais segurança para clientes e entregadores e agiliza o serviço. A 99 Food não respondeu aos questionamentos sobre quais são as normas da empresa de aplicativo em casos de clientes que se recusam a ir de encontro ao entregador para receber a encomenda. No ícone de política de privacidade do aplicativo, consta a informação de que o entregador, assim como nas demais empresas consultadas, deve aguardar até 10 minutos no local quando houver dificuldade para localizar quem vai receber o pedido. Caso ninguém apareça, o profissional deve voltar ao ponto de coleta e comunicar o ocorrido pelo chat. Depois disso, ele recebe um código para encerrar a corrida. Não há nenhuma menção, porém, sobre onde deve ser feita a entrega. A Keeta, por sua vez, não detalha em seus Termos de Serviço uma regra específica sobre subir ou não em prédios por não atuar no Rio de Janeiro, onde o hábito ainda é aplicado. No entanto, na política de segurança da empresa fica estabelecido o mesmo prazo de 10 minutos para que o entregador ou o suporte consiga contato com o cliente após a chegada ao endereço. Depois desse período, o pedido é considerado entregue, e a empresa se isenta de responsabilidade por reembolso ou reenvio. Em nota, a Keeta reforçou: "Os entregadores parceiros da plataforma não são obrigados a subir até a porta do apartamento do cliente, salvo casos excepcionais previstos por lei".
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